Incompreendido e descartado, quem diz que me entende nunca quis saber. Aquele menino foi internado numa clínica, dizem que por falta de atenção dos amigos, das lembranças, dos sonhos que se configuram tristes e inertes. Como uma ampulheta imóvel, não se mexe, não se move, não trabalha. E Clarisse está trancada no banheiro, e faz marcas no seu corpo com seu pequeno canivete. Deitada no canto, seus tornozelos sangram. E a dor é menor do que parece, quando ela se corta ela se esquece, que é impossível ter da vida calma e força, viver em dor, o que ninguém entende. Tentar ser forte a todo e cada amanhecer. ——————— Legião Urbana